D. Ana
2 mars 2012
Não sei explicar a natureza humana, mas há pessoas a quem me sinto ligada por um simples sorriso, um gesto, um Bom Dia!
Quando me cruzo com a D. Ana, ela pára, coloca o cesto no chão, ajeita o lenço e tira os óculos porque já sabe que vou tirar umas quantas fotografias.
Diz que é vaidosa, mas gosto dela assim!
À Volta do Pão Alentejano
29 février 2012
Demorei estes longos meses de Inverno para finalmente aprender a fazer o pão alentejano, um ícone de referência em todo o Alentejo.
Partilho aqui algumas das numerosas fotografias que vão servir para me auxiliar, quando fizer o meu pão.
Nessa manhã, amassaram-se perto de 60 kg de farinha de trigo. Previamente peneirada, amassou-se a 4 mãos em alguidares de barro, mas o mais espantoso foram as mãos da D. Augusta, de 80 anos. Com gestos precisos, rápidos, nunca eu tinha visto tender como ela.
No tabuleiro, os pães são colocados praticamente de pé e polvilhados de farinha na superfície. Quando colocados no forno, a parte polvilhada assenta no solo. Vou mesmo ter de lhe apanhar o jeito para obter a forma tradicional!
No forno, préviamente aquecido com estevas, onde cozeram os pães, para melhor aproveitamento do calor, ainda se fizeram umas costas, que são uns bolinhos tradicionais de massa lêveda (feitos com farinha, banha do porco, azeite, açúcar amarelo e canela) e ainda mais outros bolinhos… está tudo escrito neste livro de receitas!
Os Desenrascados II
27 février 2012
Quem vem da rua, não vê nada. É tudo muito escuro. O primeiro passo, na oficina do Mariano, funciona como um aviso. Recupera tudo, não deita nada fora. Desenrasca quem precisa. Digam lá se ele não é um desenrascado?
No Alentejo, vi por cima dum galinheiro uma ventoínha e uma bicicleta a fazer a vez de… alguém saberá dar-me uma resposta?
E porque precisava duma solução eficaz para limpar as teias de aranha, nos tectos de caniços, pedi ao Gil que me modificasse uma daquelas pequenas vassouras, feitas por ele, acrescentando uma vara de bambu, suficientemente cumprida, para chegar até elas a cinco metros de altura.
Os desenrascados são sempre bem vindos!
Les amis retrouvés
26 février 2012
Chegaram até nós e juntos partilhámos o fim de semana, uma lampreia (uma estreia para mim!), um bolo com velas e muita brincadeira.
Matança do Bácoro
24 février 2012
Há 10 anos atrás era incapaz de ouvir sequer a matança dum porco.
Entrar e conviver com as tradições duma aldeia, permitiu-me abrir os olhos e entender a importância de certos rituais que de qualquer forma vão desaparencendo.
O porco, para muitos portugueses, é a base essencial da alimentação como a batata no Norte e o pão no Sul.
A matança, desempenha uma função social bastante relevante na comunidade rural, estructurada e rica em tradições. A matança mobiliza toda a comunidade, é motivo de festa.
E assim foi no domingo passado. Chamaram-lhe a Matança do Bácoro. Os homens atarefavam-se à volta da carroça, as mulheres na cozinha, descascando os alhos para cozer o sangue que será, na hora certa, comida em cima do porco.
Gosto de observar os homens, as mãos, as expressões faciais, os saborosos vocábulos.
Gosto de me refugiar na cozinha e ver as mulheres em outras tarefas.
Gosto de vê-los unidos, num ambiente de aproximação ritual da família e da comunidade.
Infelizmente, uma tradição que tem vindo a perder adeptos e com ela arrasta tantas outras perdas.
O Entrudo
22 février 2012
La Femme qui est en toi
20 février 2012
Pouco a conhecia.
Por isso, o quanto deve ter sido difícil para ela despir-se à minha frente e expor o corpo sem artefactos, como foi difícil para mim assumir o olhar e, apesar do frente a frente, encontrar a mulher que está dentro dela.
Sentou-se na cadeira, desarmada, entregue.
As costas muito direitas, o sorriso nos lábios, uma tensão quase natural aos olhos da luz.
Foi no encontro das nossas emoções, nesta intensa comoção que nasceram as mais belas fotografias, retratos duma mulher em véspera da primeira intervenção cirúrgica para a reconstrução mamária.
Apanhada no turbilhão que avassala as mulheres, a série fotográfica foi vista como um instrumento capaz de a ajudar a superar o virar dum ciclo, com todas as incertezas inerentes ao começo dum novo.
O Mestre Simão
17 février 2012
Li com muito interesse este relatório documental apesar de o achar bastante incompleto. É pena não estar aqui mencionado o ofício tradicional do sapateiro.
O calçado alentejano merece melhor relevância.
O Mestre Simão tem 75 anos, excerceu toda a sua vida com excepção duma paragem de mais de 15 anos quando emigrou para a Alemanhã.
Tem trabalho, muito trabalho. Demora perto dum mês para satisfazer os pedidos. Um par de botas, feitas por medida, com as medidas correctas em cada pé.
Há clientes com problemas ortopédicos que recorrem a ele e que, passados muitos anos, voltam para concertar o mesmo sapato.
Os clientes são de tudo um pouco, engenheiros, muitos espanhóis, agricultores e até mulheres como eu, com um pé grande e canelado fino.
Mandei fazer a minha botina, à medida perante o olhar divertido da aldeia.
Uma cortina contra o frio
14 février 2012
Não posso queixar-me do frio pois a casa está bastante bem isolada com paredes de taipa com mais de 80 centímetros de espessura, portanto, é um óptimo isolante.
A porta de entrada no entanto, se fosse por esta lógica, deveria ter sido substituída por uma nova mas, há 18 anos, quando comprei a casa, a minha avó tinha-me oferecido esta porta inteiramente nova. Incapaz de me desfazer dela, porque carregada de recordações, só foi pintada de novo.
Recorri aos materiais que estão ao meu alcance para melhor a isolar. Com o cajado típico do pastor da planície alentejana, com uma manta de lã expressamente feita pelas tecedeiras da Cooperativa de Tecelagem de Mértola e com umas argolas em madeira, criei uma cortina, muito eficaz contra a entrada do frio e dos defeitos das brechas da porta.
Gorro III
13 février 2012
Dumas perneiras para a J., que as prefere chamar de polainas, tricotei um gorro para uma amiga que gosta de amarelo.
O modelo é da Zélia.
A lã é a Beiroa na Retrosaria.

















































