A Casa dos Escoceses

16 décembre 2014

Le bonheur est dans le pré
As ceroulas da Nazaré
Le point de noeud

De cada vez que volto à Nazaré pergunto-me se vou encontrar a loja aberta. Mas o Sr. António e o Sr. José recebem-me com a mesma amabilidade de sempre. Pomos a conversa em dia. Abrem uma revista japonesa onde se divulga a Nazaré e onde a loja é amplamente destacada com os lanifícios coloridos exibindo os trajes tradicionais. Partilho com eles deste mesmo entusiasmo. Afinal regresso cada ano à « Casa dos Escoceses » para fazer a minha escolha das fazendas de lã.
Este ano mandei fazer mais um kilt, igual no corte a este, mas com outro padrão; a M. que me acompanhou nesse dia, escolheu o seu primeiro par de ceroulas, traje típico dos pescadores mas que vejo como uma calça contemporânea, confortável e quente. As ceroulas apertam em baixo e são óptimas para usar com botinas.
Nesse mesmo dia trouxe para casa mais uns metros de lanifícios para fazer uma manta que me foi encomendada para este Natal.
Fui fotografá-la à pressa antes de a entregar.
Passar frio, não é connosco!

Sobre o mesmo assunto, em 2009, escrevia « Nazaré » e meses depois fazia uma linda almofada de chão com os retalhos « Da Nazaré ». Mais tarde fazia a primeira manta de lã que levava « Para o Jardim da Estrela ».
Em 2010, escrevia « Pequenos Prazeres » e em 2011, « Um Adeus Muito Português ».

A Zélia Évora lançou este ano uns ponchos com o mesmo espírito de « passar frio, não é connosco!« 

A Casa dos Escoceses
Praça Dr. Manuel de Arriaga, 16
2450-160 Nazaré

Novidades

13 décembre 2014

Novidades
Novidades
Novidades

É o novo projecto que nasce neste fim de ano. Depois de tricotar para a minha família, passo a tricotar para fora.

Wish list

1 décembre 2014

Wish list
Wish list

É um momento como este em que gostava tanto de ter um espaço meu onde não teria de colocar de manhã a máquina de costura sobre a mesa da sala de jantar, estender os projectos pelas paredes da casa, encontrar uma superfície plana no meio da cozinha para alinhavar a futura manta e ter ainda de arrumar, no final do dia, o que ainda está em curso.

Comme la montagne est belle

26 novembre 2014

Comme la montagne est belle
Comme la montagne est belle
Comme la montagne est belle
Comme la montagne est belle
Comme la montagne est belle

Aos nossos olhos, a montanha parece um imenso deserto de pedras. Aprendi a olhar para ela. Afinal está povoada de inúmeras famílias, nómadas berberes em constante transumância.
Os rebanhos são grandes. A vegetação sendo escassa é perfumada e muito diversificada ao longo do ano. As tendas são montadas no chão. Criam-se pequenos abrigos para proteger os recém-nascidos do chacal.
Se eu tinha um caminho criado aquando da construção das linhas de alta tensão, os nómadas berberes seguem trilhos invisíveis ao meu olhar, subindo e descendo vales a um ritmo alucinante, procurando água e pasto.
Subi à montanha no primeiro dia da Festa do Casamento.
Em baixo, nas tendas montadas para as Festas, os homens reuniram-se por duas vezes. Muito antes da hora do almoço e da hora do jantar, entoaram orações, juntamente com cinco molás, com cânticos corânicos da época Andaluza.

Abençoado seja o pão

14 novembre 2014

Abençoado seja o pão
Abençoado seja o pão
Abençoado seja o pão
Abençoado seja o pão
Abençoado seja o pão

O pão é o elemento fundamental em qualquer refeição berbère.
Durante os 3 dias que demorará o casamento, duas mulheres foram designadas para fazer o pão. Durante 3 dias, desde a manhã até ao cair da noite, amassam, estendem, cozem, tudo ao nível do solo.

Debaixo das tendas, montadas para a ocasião, dezenas de pessoas reúnem-se à volta duma única travessa e o pão é partilhado entre todos (os homens e as mulheres comem separadamente).
Não há talheres.
O pão mergulha no molho, com os dedos desfaz a carne e é levado à boca. Não faltam as abluções antes e depois das refeições.

Quando as centenas de convidados saem das tendas, as travessas estão vazias. Sobram sempre migalhas e pedaços de pão que, cuidadosamente serão retirados e guardados.
Nenhum muçulmano deita o pão no lixo.

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5 dias

12 novembre 2014

O Grande Atlas #Marrocos
Tempestade de neve #Marrocos
Um dia por terra, uma hora por mar #Marrocos

1.200 quilómetros de estrada para 1 dia de viagem, 1 dia por terra e uma hora por mar.
3 dias para um casamento berbere mais 1.200 quilómetros de estrada que nos separavam da nossa casa.

Vimos o despertar das miúdas na madrugada espanhola.
Sentimos os ventos do Atlântico soprar, travando o nosso andamento.
Admirámos o pôr do sol no cimo do Médio Atlas, antes de enfrentar uma tempestade de neve no Grande Atlas.
A lua iluminou a nossa descida na parte oriental.
Senti na pele, o frio vindo do deserto quando chegámos ao nosso destino.

Valentes são as miúdas que aguentaram um dia inteiro de carro. Nele se dormiu, se comeu, se leu, ouviu-se música, falou-se e brincou-se para ganhar tempo.

Os 490.000 que marca o conta-quilómetros é o testemunho das nossas longas viagens. É a nossa memória. Começamos a ter um maior afecto para com um veículo que tem tanta idade como as nossas filhas.
No regresso destes 5 dias de férias, fomos unânimes. Não lavar o carro. Deixar o pó do Grande Atlas, porque ele tem o seu próprio ADN!

"Não são defeitos, mas feitios"
"Não são defeitos, mas feitios"
"Não são defeitos, mas feitios"

O ano passado tinha-lhe feito uma almofada. Este ano, decidi-me por acabar a tão esperada manta.
Tudo porque ao regressar à Residência de Estudantes da M., deparei com uma chita a fazer a vez de colcha. O mesmo padrão usado num dos retalhos.
5 anos.
5 anos entre ter acabado o patchwork e acolchoá-lo.
Um patchwork de diversos tecidos, de várias épocas, de várias origens.
Assumo a falha de tinta na altura da impressão do padrão da chita que apliquei orgulhosamente tanto no direito como no versão da manta. As imperfeições têm encantos, ao menos para mim: « Não são defeitos, mas feitios »!

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