Abençoado seja o pão

14 novembre 2014

Abençoado seja o pão
Abençoado seja o pão
Abençoado seja o pão
Abençoado seja o pão
Abençoado seja o pão

O pão é o elemento fundamental em qualquer refeição berbère.
Durante os 3 dias que demorará o casamento, duas mulheres foram designadas para fazer o pão. Durante 3 dias, desde a manhã até ao cair da noite, amassam, estendem, cozem, tudo ao nível do solo.

Debaixo das tendas, montadas para a ocasião, dezenas de pessoas reúnem-se à volta duma única travessa e o pão é partilhado entre todos (os homens e as mulheres comem separadamente).
Não há talheres.
O pão mergulha no molho, com os dedos desfaz a carne e é levado à boca. Não faltam as abluções antes e depois das refeições.

Quando as centenas de convidados saem das tendas, as travessas estão vazias. Sobram sempre migalhas e pedaços de pão que, cuidadosamente serão retirados e guardados.
Nenhum muçulmano deita o pão no lixo.

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5 dias

12 novembre 2014

O Grande Atlas #Marrocos
Tempestade de neve #Marrocos
Um dia por terra, uma hora por mar #Marrocos

1.200 quilómetros de estrada para 1 dia de viagem, 1 dia por terra e uma hora por mar.
3 dias para um casamento berbere mais 1.200 quilómetros de estrada que nos separavam da nossa casa.

Vimos o despertar das miúdas na madrugada espanhola.
Sentimos os ventos do Atlântico soprar, travando o nosso andamento.
Admirámos o pôr do sol no cimo do Médio Atlas, antes de enfrentar uma tempestade de neve no Grande Atlas.
A lua iluminou a nossa descida na parte oriental.
Senti na pele, o frio vindo do deserto quando chegámos ao nosso destino.

Valentes são as miúdas que aguentaram um dia inteiro de carro. Nele se dormiu, se comeu, se leu, ouviu-se música, falou-se e brincou-se para ganhar tempo.

Os 490.000 que marca o conta-quilómetros é o testemunho das nossas longas viagens. É a nossa memória. Começamos a ter um maior afecto para com um veículo que tem tanta idade como as nossas filhas.
No regresso destes 5 dias de férias, fomos unânimes. Não lavar o carro. Deixar o pó do Grande Atlas, porque ele tem o seu próprio ADN!

"Não são defeitos, mas feitios"
"Não são defeitos, mas feitios"
"Não são defeitos, mas feitios"

O ano passado tinha-lhe feito uma almofada. Este ano, decidi-me por acabar a tão esperada manta.
Tudo porque ao regressar à Residência de Estudantes da M., deparei com uma chita a fazer a vez de colcha. O mesmo padrão usado num dos retalhos.
5 anos.
5 anos entre ter acabado o patchwork e acolchoá-lo.
Um patchwork de diversos tecidos, de várias épocas, de várias origens.
Assumo a falha de tinta na altura da impressão do padrão da chita que apliquei orgulhosamente tanto no direito como no versão da manta. As imperfeições têm encantos, ao menos para mim: « Não são defeitos, mas feitios »!

É amanhã!

31 octobre 2014

É amanhã!

É amanhã mas já vou a caminho.
São todos bem vindos!

Aperto

29 octobre 2014

Demolir para reconstruir
Paredes de taipa, #mosaicohidráulico
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Vi a casa de taipa a ser demolida e senti um aperto no coração.
Uma casa dentro da aldeia, feita de terra crua. Uma casa com uma construção tão antiga que em poucas horas foi reduzida a pó.
Demolir para reconstruir? Mas porquê?
No mesmo dia, levantaram o chão da casa com uma picareta. Com a escavadora, os mosaicos hidráulicos foram-se, juntamente com o entulho para dentro dum reboque.
Não sabia salvar as paredes de taipa mas podia salvar aqueles mosaicos, bradando os olhares de quem estavam na obra.
Os contentores do lixo encheram-se de coisas e arrependo-me de não os terem deitados no chão para vasculhar o passado da casa. Passado esse que anda agora por outras casas.

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Prometi um post sobre os tecidos da Dona Luisinha. Como são muitos, decidi-me pelas flanelas.
Para facilitar a escolha, segue em anexo, uma amostra dos padrões e informações adicionais.
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Fora do Tempo

23 octobre 2014

Fora do tempo
Envelopes de luto #mosaicohidráulico
O serviço de café da SP Coimbra que já não está completo mas continua tão contemporâneo
Chita da tabela
Um conjunto incompleto da célebre marca Stephens, da Marinha Grande. Made in Portugal
Os pratos (12 de cada) da série "Cavalinho" da extinta Fábrica de Loiça de Sacavém

Volta e meia volto lá. A mercearia está oficialmente fechada mas a Dona Luisinha aí permanece porque trabalhou toda a vida naquele lugar. A casa, tão bonita, está virada para o adro da igreja.
Entro para cumprimentá-la, para quebrar o silêncio a que a casa se obrigou, para ouvir o queixume que a vida actual lhe proporciona. Não me canso de a ouvir.
Entro e tropeço nas coisas que ela vai tentando vender mesmo com rifas e não deixo de pensar como aquela casa está tão isolada do resto de Portugal e que tanta gente gostaria de conhecer.

Passam-me pelas mãos coisas tão bonitas mas fora do tempo.
Será que os envelopes de luto poderiam ganhar nova vida?
E o serviço de café da SP Coimbra (Sociedade de Porcelanas, de Coimbra) que já não está completo mas continua tão contemporâneo?
E a chita da tabela, de 60 cm de largura?
E o conjunto incompleto da célebre marca Stephens, da Marinha Grande?
E os pratos (sopa, raso, sobremesa – 12 de cada) da série « Cavalinho » da extinta Fábrica de Loiça de Sacavém?

Entro para cumprimentá-la e acabo por a ajudar a limpar as estantes, porque um dia a casa será vendida!

Se me quiserem ajudar a limpar as estantes, agradeço e a Dona Luisinha também !!!

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