O tamanqueiro de Baltar
30 mars 2011
As ruas das pequenas povoações da Serra de Montemuro ocultam muito mais sobre si próprias do que o silêncio aparenta.
O nevoeiro dá-lhes um toque de mistério. A chuva, o frio acentuam a realidade.
Não se vêm cafés, letreiros de pequenos comércios, não me lembro ver uma escola aberta.
Não se vêm pessoas nas ruas, de vez em quando umas capuchinhas e no entanto…
Atrás das portas há um pequeno mundo.
O gado ficou por hora no curral, os rebanhos irrompem nas ruas ao meio da tarde. Ouvimos os chocalhos, o tamanquear na calçada.
Fazendo face às necessidades, devido em parte ao isolamento e às difíceis condições climatéricas é possível cruzar ainda mãos tão hábeis como o Senhor João, tamanqueiro de Baltar. No povoado aqueles pés adaptaram as botas de caminhar com solado de madeira. Não há melhor calçado, chancas ou tamancos, para isolar do frio e da humidade.











30 mars 2011 at 9:30
Botas de caminhada com sola de tamanco? Excelente!!
A ver se este fim-de-semana encontro um tamanqueiro tão habilidoso como esse, embora não tenha grande esperança de encontrar botas dessas. :D
31 mars 2011 at 8:55
[...] de não terem a qualidade das da Diane, não resisto a mostrar algumas fotografias que tirei em Baltar na oficina do Sr. João, [...]
1 avril 2011 at 12:27
Adorei as fotos o texto!
É curioso que esta semana o meu pai me contou que os amieiros que tem (que limpar) na Quinta, eram escolhidos e preservados pelo meu avô, porque havia um Tamanqueiro de outra terra que vinha buscá-los para os seus belos Tamancos! Isto serviu de mais um mote de conversa sobre como era no tempo dele de criança… histórias que não me canso de ouvir…
2 avril 2011 at 9:28
Que tamancas mais lindas! Diane, tu encontras o mundo real, é um prazer ver o que vês! Beijinhos.
4 avril 2011 at 7:48
Tão interessante e que bonitos que são os tamancos. As pintinhas pretas na última fotografia são os furos dos pregos? E já agora quanto tempo demora o Sr João a fazer um par?