À Volta do Pão Alentejano
29 février 2012
Demorei estes longos meses de Inverno para finalmente aprender a fazer o pão alentejano, um ícone de referência em todo o Alentejo.
Partilho aqui algumas das numerosas fotografias que vão servir para me auxiliar, quando fizer o meu pão.
Nessa manhã, amassaram-se perto de 60 kg de farinha de trigo. Previamente peneirada, amassou-se a 4 mãos em alguidares de barro, mas o mais espantoso foram as mãos da D. Augusta, de 80 anos. Com gestos precisos, rápidos, nunca eu tinha visto tender como ela.
No tabuleiro, os pães são colocados praticamente de pé e polvilhados de farinha na superfície. Quando colocados no forno, a parte polvilhada assenta no solo. Vou mesmo ter de lhe apanhar o jeito para obter a forma tradicional!
No forno, préviamente aquecido com estevas, onde cozeram os pães, para melhor aproveitamento do calor, ainda se fizeram umas costas, que são uns bolinhos tradicionais de massa lêveda (feitos com farinha, banha do porco, azeite, açúcar amarelo e canela) e ainda mais outros bolinhos… está tudo escrito neste livro de receitas!



















29 février 2012 at 12:35
Adorei a reportagem!!
29 février 2012 at 1:47
<3 <3
29 février 2012 at 2:03
Que delicia, também gostava de aprender, pao verdadeiro!
http://Www.levedar.com
29 février 2012 at 2:06
Esse tipo de experiência junto de alguém que sempre seguiu estas receitas a olho é único :)
Faz-me lembrar as “popias de espécie” da tia Mariana (doceira de profissão), típicas do Baixo Alentejo (Ferreira do Alentejo) e que consegui aprender a fazer depois de muita insistência do meu pai, “para que não se perca a receita de família!”.
29 février 2012 at 2:18
que mãos…quanta vida !
:)
29 février 2012 at 3:04
Estraordinárias fotografias!
29 février 2012 at 6:16
Da única vez que amassei pão fiquei com os braços e mãos a doer…vê-se que as mãos dessa senhora têm muita experiência:) beijos e saudades, já!
29 février 2012 at 6:54
adoro as tuas foto-reportagens! Mas perfeito, era no fim poder cheirar e comer um naco desse pão maravilhoso! :)
1 mars 2012 at 10:11
que maravilha! as fotos estão lindíssimas, parabéns! também ando à procura de alguém para me ensinar a fazer pão alentejano. estivemos pelo carnaval em castro verde e ainda perguntamos à senhoras que fomos encontrando se conheciam alguém que cozesse pão tradicional, mas nada.
1 mars 2012 at 11:19
Parabens pelas fotos. Infelizmente, não só falta o cheiro do pão cozido, que é maravilhoso, assim como estas fotos começam a ser uma raridade na medida em que, por esse país fora, cada vez há menos pessoas a cozer pão. Contributo da dita modernidade …
1 mars 2012 at 1:12
é o meu pão favorito, claro. e cá em lisboa é difícil de o encontrar. geralmente compro na feira do relógio a uns senhores alentejanos. adorei a reportagem e as fotografias. gostava muito de saber faze-lo também.
1 mars 2012 at 4:28
Cheira mesmo a pãozinho quente :)
Uma pergunta: o fermento que ela usa é feito com farinha, água e massa lêveda da fornada anterior?
1 mars 2012 at 5:28
Daniela, é mesmo esse, o fermento que ela usa. Há uma foto das mãos da D. augusta com a massa lêveda que fica para azedar e guardar para a próxima fornada:)
1 mars 2012 at 5:59
Fantásticas fotos.
Há tempos foi notícia que Portugal tinha o melhor peixe do Mundo, à notícia acrescentaria que pão como o português e em particular como o alentejano não se encontra em parte alguma do universo.
1 mars 2012 at 6:12
Vou contar uma pequena história duma viagem que fiz há alguns anos a Praga. No meio dos nossos passeios pela cidade conheci um homem, um pai que acompanhava a filha para uma hipotética entrada na universidade. Ele fazia parte da confraria do pão alentejano. E o mais incrível é que o Senhor trazia na mala pães alentejanos e ofereceu-nos um:)
1 mars 2012 at 6:55
O pão alentejano é único, principalmente quando é amassado à mão, o que vai sendo mais raro. Quando comecei a trabalhar em Lisboa foram-me atribuidos os projectos no alentejo e uma das minhas “obrigações” era trazer de volta para os colegas pão e popias, de preferência das de Ferreira do Alentejo. Eram únicos e eu chegava a fazer grandes desvios para cumprir com este mandato.
Parabéns,
Rita
1 mars 2012 at 9:50
uma maneira de se tecer a vida! qta força e afeto misturados na medida certa! Lindas fotos, como sempre!
3 mars 2012 at 12:08
Adorei a reportagem e fiquei impressionada com as mãos da senhora! Gostava de saber a opinião dessas mulheres trabalhadoras que encontras sobre o conceito “idade de reforma”!
3 mars 2012 at 6:24
Que lindo!!! E o pão deve ser muito bom!
3 mars 2012 at 7:58
O conceito de “idade de reforma” para este tipo de pessoas, no Alentejo e não só, tem essencialmente duas vertentes: Primeira: as reformas das gentes do campo, são normalmente tão miseráveis, comidas completamente pela compra de remédios, que são obrigadas a labutar até ao fim da vida. Segundo: os que conseguem ultrapassar este seio, ficam inactivos, sentadas/os à porta de casa, no café, na taberna ou no átrio da capela, pois no Alentejo, região de latifúndio, não têm terras onde possam cultivar uma pequena horta, contráriamente ao minifundio do Norte.No século XXI, é vergonhoso o montante destas reformas, comparadas com as abusivas que por aí florescem … Subjacente a este estado sociológico, existe, por vezes, o total isolamento familiar, afectivo, social, moral, cultural, politico, vivido muitas vezes num estado de depressão crónica e isto, num completo alheamento e desprezo por parte aqueles que deveriam olhar por estes cidadãos. Lamentável e vergonhoso !!!
29 mars 2012 at 10:53
Adorei as fotos parabéns adorava ler o livro vou abrir uma padaria é um sonho antigo e tenho falado com tanta gente antiga do pao contam historias tão sabias obrigada por partilhar este momento