“Aromas e Sabores, Comidas de Mértola”
28 mai 2012
São, nas prateleiras das bibliotecas que tenho vindo a descobrir, livros de receitas, muitas das vezes recolhas feitas, ou pelas escolas ou por associações, cuja edição acaba por nunca se encontrar à venda.
As comidas do Baixo-Alentejo e mais propriamente na zona de Mértola diferem das outras regiões, devido à sua proximidade com o Guadiana. Algunas delas – como o figo, o chícharo ou o muge (taínha) – desempenharam um importante papel na subsistência popular sendo que a tradicional dieta mediterrânica baseada no pão, no azeite, vinho e frutas, parcava em carnes e gorduras.
Debruço-me nas receitas, ávida de aprender e percebi que há muitos segredos como, por exemplo, o que se deita para dentro do almofariz, para realizar uma aparentemente simples açorda.
Comidas de Mértola, Aromas e Sabores é mais do que um simples livro, feito sobre recolhas dos hábitos culinários mertolenses.
“Fazer este livro sobre a gastronomia mertolenses foi também, para os seus muitos autores… um acto de generosidade, de partilha e de convívio. E, ao mesmo tempo, foi como juntar os ingredientes, misturá-los e dar-lhes a forma de um pão de palavras e de imagens.
Palavras não matam fome, nem que digam mil comidas. No entanto, as palavras são, para os poetas, pão do espírito, sementes lançadas ao vento, fermentos de mudança. Podem ser doces como mel, amargas como fel, picantes como pimenta…” Manuela Barros Ferreira in introdução ao livro.
Comidas de Mértola, Aromas e Sabores
de Nádia Torres, alunos, professores e funcionários da Escola C+S de Mértola, 1997
Para além do Pátio Azul
1 mai 2012
A Rua Luís de Camões separa a Biblioteca Municipal de Beja da Casa da Cultura.
Duas exposições.
A Paula Estorninho apresenta “Bonecas entre páginas, entre letras, entre linhas…”
O Rui Cambraia expõe fotografias “Depois do Pátio Azul” a partir das bonecas da Paula E.
No meio destas duas exposições, a Rua de Camões personifica a poesia das palavras que se espalham com uma intensidade que só ao Amor toca.
(Não vinha preparada para fazer qualquer tipo de registo. Estas fotografias são excertos do que o meu olhar captou dum lado e outro da Rua Luís de Camões).
Dizes-me quem tu lês?
11 avril 2012
Retrato duma jovem adolescente que em período de férias tem dificuldade em sair do quarto. A M. devora livros como quem devora chocolates. Esgotada a leitura, é capaz de voltar a lê-los e relê-los.
Eu não me lembro ler 3 ou 4 vezes o mesmo livro.
Lembro-me sim, aos 18 anos, de ler toda a obra de Marguerite Duras. Aos 20 e tais, devorava Bruce Chatwin. Na trintena descobri a obra de Amélie Nothomb. Acho que os li todos e cada ano que passa não perco uma nova publicação dela.
A casa vai agora entrar em obras. Após muitos anos com os livros no chão, vamos finalmente ter a biblioteca. A escolha dos materiais e o próprio traço das prateleiras parecem definitivamente decididos.
Levo comigo, para a casa do Alentejo, os meus autores de referência e pela 2ª vez estou a reler a obra da Amélie N.
Plantas do concelho
4 décembre 2011
Ia ao encontro do livro de Plantas Medicinais no Vale do Guadiana, editado pela Associação de Defesa do Patrimonio de Mértola (ADPM), um livro muito interessante, mas como foi co-financiado, nunca esteve à venda e há muito, esgotado. Teve uma tiragem de 1000 exemplares.
Há 2 sitios onde pode ser consultado.
O primeiro, na Loja da Terra em Mértola onde há, entre outros produtos, ervas e infusões. Aliás foi neste pequeno lugar que decobri a obra. O segundo lugar possível para consulta é na Biblioteca Municipal de Mértola. Puseram-me à disposição um outro livro Ervas e Cheiros que conta com a participação dos alunos da altura (1995) da Escola C+S de Mértola, Nádia Torres e Rui Guita. O livro, editado em 2000 pela mesma escola teve uma tiragem de 1500 exemplares e há muito tempo que o livro também está esgotado.
São agradáveis surpresas que vou descobrindo nas prateleiras da biblioteca.
Ervas e Cheiros é a prova que é possível fazer da escola um espaço muito criativo e tirando proveito dos recursos no meio existente.
A escola já editou 5 livros, contando sempre com a colaboração dos seus alunos.
Etnobotânica de Plantas Mediciais no Vale do Guadiana
de Claúdia Alves de Melo
Edição ADPM, 2008
Ervas e Cheiros
Espécies Aromática e Medicinais do Concelho de Mértola
de Nádia Torres, Rui Guita e Alunos da Escola C+S de Mértola
Edição Escola C+S de Mértola – PEPT, 2000
Casa do Povo
6 septembre 2011
8 lojas de comércio, 4 alfaiates, 1 oleiro e sapateiros… nem se contam pelos dedos das mãos.
Hoje, a aldeia não tem mais do que 60 habitantes. Ainda persiste a mercearia (e por mais quanto tempo?) e uma outra muito mais recente, sem horários definidos nem encanto, porque as paredes e a mobília não carregam história.
O Convívio fecha as portas uma vez por semana. É o ponto de encontro, o centro nevrálgico da terra. E além dum muito pequeno museu (voltarei a falar nele noutro post futuro), ainda há a Casa do Povo.
Sem ela, não teria conseguido escrever este post.
Consta-se que até 2002, uma pessoa da aldeia detinha a chave da instituição desde o antigo regime.
Nesse ano, o povo juntou-se, reuniu-se e em conjunto arrombaram as portas tomando posse do edifício.
Computador debaixo do braço, jovens e menos jovens, todos têm acesso à net.
Aqui estou!
Ursli
13 juin 2011
São dois lindos livros (falta um para a minha colecção estar completa!) vindos dum pequeno país onde as tradições se mantêm muito vivas, as quais se integram naturalmente no ecosistema e na economia nacional.
Com palavras simples e poéticas, Selina Chӧnz descreve o quotidiano de dois irmãos, Ursli e Flurina, numa região recuada da Suíça, a Engadine onde se fala a quarta lingua nacional do país, o romanche.
Na Une Cloche pour Ursli as calendas de Março ecoam, vindas da montanha pela mão do jovem Ursli, assim como o fazem todas as crianças nesta altura do ano, tocando os enormes sinos (que as vacas costumam usar) para afastar o Inverno e cantam, para anunciar a chegada da Primavera.
Para as minhas filhas e para todos em geral, poderíamos achar isto de puro folclore, mas é tão real como demonstra este video sobre a transumância dos bovinos no fim da Primavera, acompanhados de pastores e familiares, para as pastagens mais abundantes da serra, onde se continua a confeccionar o queijo.
La Grande Neige é sobretudo a montanha, a queda de neve, os majestuosos pinheiros, as primeiras avalanches, a força da natureza, o frio, o calor duma festa, o ânimo dos jovens, a festa dos trenós. As magníficas ilustrações são do pintor Aloϊs Carigiet.
Recomando vivamente!
Há mais sobre tradições suiças aqui.
Une Cloche pour Ursli
de Selina Chӧnz
Ilustrações de Aloϊs Carigiet
Edition Orell Füssli, Zürich 1983
La Grande Neige
de Selina Chӧnz
Ilustrações de Aloϊs Carigiet
Edition Orell Füssli, Zürich 1996
Livros Andarilhos
5 mars 2009
Uma vez por trimestre e já là vão 3 anos, o núcleo escolar de Vila Franca da Beira organiza uma sessão de “Livros Andarilhos” onde não só participam as crianças do pré-escolar, como também as do 1º ciclo.
Ao longo destes anos a pequena sala de aula foi-se enchendo de pais, de familiares para mais tarde se juntarem os vizinhos e os amigos.
Livros Andarilhos é um projecto em conjunto com a Biblioteca Municipal de Tábua onde não faltam os contadores de histórias, com o objectivo de incentivar e fomentar o gosto pela leitura. O livro, como potencial de novas descobertas para melhor aprender.
Hoje à noite a C. transformou-se lentamente num Anacleto, cheio de energia e muito divertido, para fazer de par com o Emilinho, num dos famosos sketchs Sapatos, Sapatinhos, Sapatões do livro Hoje Também Há Palhaços de António Torrado e Maria Alberta Menéres.
E como anunciaram os meninos do pré-escolar “…o António Queimado? Desculpa António Estorrado!… não, nada disso; António TORRADO” estará daqui uma semana, na sede do agrupamento e toda a “trupe” de Anacletos e Emilinhos seguirão para là.
…
Partilhar História do Dia, escrita por António Torrado.
Com as primeiras chuvas
28 octobre 2008
Com as primeiras chuvas, veio novamente o sossego em casa.
Para trás, ficam as recordações dos aniversários, das partidas, do nascimento tão esperado dos cachorrinhos, da passagem dos amigos vindos de longe, porque além fronteiras são as férias escolares de “Todos-os-Santos”.
Com as primeiras chuvas, apeteceu-nos relaxar, ouvir, ler e ver o livro que elas trouxeram da biblioteca da escola.
Ouvir a música de Fernando Lopes-Graça interpretada pelas vozes infantis do “Bando dos Gambozinhos”, ler a poesia da Matilde Rosa Araújo e olhar as bonitas ilustrações da Maria Keil, num livro As Cançõezinhas da Tila da Editora Civilização.
Com as primeiras chuvas, estou a agarrar-me a novos projectos porque gostava ainda de poder participar na Feira de Artesanato de Mafra. Encontrei ali um ambiente extraordinário, uma excelente organização e fecho os olhos aos quilómetros que terei eventualmente de percorrer.
E para todos os interessados em Feiras e Artesanato a Artesania e Miau Bijoux associaram-se para criarem este espaço para melhor divulgação.
Em 3 anos menos 3 dias
17 octobre 2008
A casa encheu-se de três lindas meninas, em três anos, menos três dias.
Hoje foi a vez da Julieta.
Apesar das festas que vão prolongar-se durante o fim-de-semana, vou contar para elas, a história de Quando eu nasci de Isabel Minhós Martins com as ilustrações de Madalena Matoso desta linda editora e que descobri na Biblioteca Municipal de Tábua.
Quando eu nasci nunca tinha visto nada.
Só um escuro, muito escuro,
na barriga da minha mãe.
Quando eu nasci…
"Ter vizinhos, ter amigos…"
7 octobre 2008
Foi um despertar sobre a primeira chuva do Outono.
Aproveitando o feriado municipal de Oliveira do Hospital, fomos espreitar novos livros na biblioteca de Tábua.
Para assinalar o mês da Música, está patente uma magnífica exposição de instrumentos étnicos cedidos pela Casa da Ribeira, com uma mostra de fotografias de Ricardo Leal.
E como a C. ficou de cama com temperatura, trouxemos-lhe, entre muitos outros livros, “A Saquinha da Flor” de Matilde Rosa Aráujo com ilustrações de Gémeo Luís (do seu verdadeiro nome Luís Mendonça).
“…
Na verdade, à Avó não faltava nada. Ou faltava?
As lembranças de uma vida inteira acompanhavam-na.
Ela, Amélia, ali no monte, naquela casa de granito onde tinha nascido.
Acompanhava-a o Faísca, o cão de olhos meigos, olhos que falavam.
E, em volta, viviam ainda alguns vizinhos. Ter vizinhos, ter amigos, mesmo que não estejam à nossa beira, é uma felicidade.
E Amélia sabia colher a felicidade como se colhe a fruta madura de um pomar.
E mais ainda.
Olhava as árvores, o chão, as flores do monte. Escutava os pássaros. As cigarras.
Os ralos. Até o silêncio.”
Lembro-me de ontem, da minha visita de médico só para dar um beijo, para matar a saudade, antes de ir a correr para outras freguesias e o carinho, a atenção como fui recebida, levando comigo as “rodas tontas” que hoje fizeram as delícias das minhas filhas.
À volta da doente, fomos lendo, fomos ouvindo e rimos muito. Dei comigo a acabar esta pega.


































