As melhores cebolas do mundo
9 avril 2012
Estado do tempo
4 avril 2012
Todos falam do mesmo. Chove (ou choveu) no Alentejo, em Lisboa e outros lugares. Até caiu granizo em Viseu porque isso eu vi com os meus olhos. Quando regressei a casa, a roupa no estendal estava enxuta. Nem uma gota.
Vejo sim, a “bispa” (Elisa do seu nome) regar a horta e se assim continuar terá de regar as batatas semeadas, a Maria Angelina a limpar a sua mata porque teme os fogos florestais. Vejo sim, o prazer das crianças em rebolar-se num prado de margaças, tomar o primeiro banho do ano no lavadouro.
Abril, águas mil?
☁ ☁ ☁
15 janvier 2012
Um saco de cultura revolucionário
9 janvier 2012
Foi nesta feira que descobri este saco de produção de Pleurotus Ostreatus. Um saco de cultura que revolucionou os nossos hábitos na horta e na cozinha.
O saco produz em média 2 ou 3 kg de cogumelos distribuidos por várias colheitas.
De resto, não dá trabalho nenhum. Fácil de transportar, o saco é colocado num lugar onde a temperatura deve estar entre os 15º-25º, com boa luminosidade sem, no entanto, receber directamente luz solar.
Da nossa primeira colheita, os Pleurotus Ostreatus foram simplesmente salteadas na frigideira com azeite, alho, salsa, sal e pimenta.
Na próxima colheita, vou aventurar-me numa deliciosa sopa. É que as noites são muito frias por cá!
A Colheita das Azeitonas
26 novembre 2011
Mais uma vez, este ano, procedemos à colheita da azeitona. Feitas as contas ao pessoal, lagar e outras pequenas despesas, sem contar a lavra anual dos olivais, este ano o litro de azeite ficou-nos a 5,73€ (ficou mais barato que o ano anterior, porque prescindimos do tractorista). Para além de continuar a não ser rentável para os agricultores, também ninguém aparece para comprar o azeite excendentário como antigamente. Até o ciclo ancestral da economia de subsistência rural, se esvai. De Bruxelas, primeiro vieram subsídios para arrancar oliveiras centenárias. Depois subsídios para plantar novas oliveiras. Destes subsídios, pouquinho dinheiro chegou às mãos dos pequenos agricultores. A maior parte foi para as grandes plantações de olivais em latifundios. No Alentejo sustituíram-se milhares de hectares de cereais por olivais. Aqui, plantou-se muitíssimo mais oliveiras que dão azeitona “verdelha” do que “galega”. Esta produz ou “rende”, como dizem os agricultores, muito menos azeite do que a “verdelha”. Esta, verde e carnuda, tem muito mais acidez que a “galega” e “funde” (relação produtiva quilo de azeitona = litro de azeite) a 25 ou mais, ao passo que a “Galega”, preta e pequenina, “funde” a 12, máximo 16, quase metade a menos. Portanto, uma produz quantidade e com maior acidez, outra qualidade com menor acidez. Também podem existir outros factores, mas “grosso modo”, anda tudo à volta disto. Foi o que aprendemos das numerosoas conversas com os agricultores, herdeiros do Saber centenário dos seus antepassados. Dizeres esses, confirmados numa prova organoléptica individual, que qualquer um de nós pode fazer, constatando-se claramente a qualidade de um e de outro azeite. Façam a experiência. Bom apetite.
Plantar para colher
28 octobre 2011
Muitas vezes, preparo uma refeição e penso:
“miam, uma salada para terminar, vinha mesmo a calhar”.
Preparo-me para ir buscá-la à horta, quando dou por mim, longe dos meus hábitos beirões…
Tenho que ter uma horta, nem que seja muito mais pequena, mas tinha que ter.
Não posso passar sem algumas verduras e sobretudo, ervas aromáticas.
No espaço a céu aberto, onde também está o alpendre e forno do pão, enclausorados entre 4 paredes branquíssimas, construí 2 largos canteiros.
Inicialmente, o projecto era reproduzir uma horta e jardim em “lasanha” mas a terra, só por si, é mesmo boa. Acrescentei algum estrume e um pouco de caruma e, apesar do imenso calor que por cá se fez sentir, a sementeira do primeiro canteiro já começa a despontar. Daqui a um mês, vou ter cabeças de nabos e não tarda, voltarei a pensar em ir buscar uma boa alface para concluir uma deliciosa refeição.
Daqui a poucas horas, levo o meu cesto. Ausento-me por uns dias, para ir aprovisionar-me na “outra” horta, daquilo que esta, muito mais pequena, não me pode fornecer.
Até já!
Mosqueiro
24 juillet 2011
O livro Atravez dos Campos de José da Silva Picão é uma verdadeira revelação, até para entender melhor os passos que vou dando nesta região. Hei-de voltar vezes sem conta a esta obra infelizmente incompleta sobre os usos e costumes da vida da lavoura no Alentejo. Començo por partilhar aqui mais uma receita, após o episódio do Poder do Limão, duma artimanha simples mas eficaz, um mosqueiro, citando uma passagem do livro, descrevendo assim a casa onde se prepara o queijo e outros lacticínios.
“Queijeira. — … pelo tecto da casa pendem molhos de folhagem de sabugueiro ou freixo, a que chamam mosqueiros. Servem para atrahirem a si as moscas, que em enxames accodem ás queijeiras, onde como em toda a parte, se tornam importunas e nocivas, pelo menos apparentemente. Dizimam-n’as então com o auxilio do folhedo, onde se acoitam, artimanha simples de excellentes resultados.
Á noite, quando tudo está em socego, o roupeiro, (encarregado da queijeira), chega se aos mosqueiros, e, a cada qual, depois de lhe enfiar um sacco que segura pela bocca, agita-o com violencia para a moscaria se desalojar. O effeito manifesta-se logo por um sussurro alvorotado, indicio de boa caçada. Immediatamente vae-se tirando o sacco, devagarinho, saccudindo o miudo, até ficar de fóra com a bicharia no fundo e alguns fragmentos da folhagem. Sempre fechado pela bocca é batido no chão, despejando-se no lume. Reconhece-se então a importancia do apanho, que frequentemente attinge porções consideraveis…”
Atravez dos Campos
Usos e Costumes agricolo-alemtejanos
Volume I
de José da Silva Picão
Typogragraphia e Encadernação Progresso
Elvas, 1922
O poder do limão
9 juin 2011
Viver no campo traz muitas vantagens mas também alguns inconvenientes. O combate às formigas ao longo de todo o ano e às moscas no período mais quente, são um calvário (nesta história não entram os ratinhos do campo, as centopeias e as aranhas…).
Não dispenso o “apanha-moscas”. Tem tanto de nojento, como de fascinante! Mas não resolve as refeições tomadas debaixo do alpendre onde de repente aparece um batalhão delas.
Quando falei de Os desenrascados, a Annah teve a amabilidade de revelar uma receita, quanto ecológica, para afastar estes dípteros da mesa.
Com as duas metades de um limão e com cravinhos da India nelas espetadas, a mistura dos aromas repele-os.
Foi também com quartos de limões podres, que tive a agradável surpresa de ver as formigas recuarem, perante a possível invasão em casa quando, no Inverno, procuravam lugares mais quentes!
O verdadeiro poder do limão!
O que terá ele ainda de tão poderoso que possam partilhar aqui?
A beterraba vermelha
15 mai 2011
Fim do dia
11 mai 2011
Como eu gosto do fim do dia.
Elas regressam da escola e por momento esquecemos os trabalhos de casa, os 568 quadradinhos cortados ao longo do dia e vamos aproveitando os 4 cantos do jardim.
L’Immortelle d’Italie (a erva do caril tem um nome muito mais bonito em francês) larga um perfume que nos transporta para outros horizontes.
A J. anticipou uma viagem imaginária com o seu barquinho de papel.
Fim do dia. Hora marcada para regar a horta, cheirar a terra humidificada, ouvir o zumbir dos insectos, apanhar umas ervilhas, uma alface e uma beterraba.
Queda o silêncio de fim de tarde. Parece que o mundo está em paz!





























