Fazer voluntariado

28 juillet 2015

Debaixo dum sol abrasador
Fazer voluntariado
Mãos à obra
Fazer voluntariado
Fazer voluntariado

Ser estudante e não encontrar ainda respostas claras quanto ao rumo que há de dar quando ingressar para a faculdade, fazer voluntariado é permitir obter algumas respostas, participando, mexendo, escavando, observando e desenhando, como é o caso da M., junto da maioria dos estudantes em Arqueologia vindos do Porto para o Campo Arqueológico de Mértola.
Durante duas semanas, debaixo dum sol abrasador, foram meticulosamente afastando a terra, varrendo o pó para descobrir achados extraordinários da história da Vila.

A obra

3 juillet 2015

O meu despertar
A manta do meu verão
A cocheira entra finalmente em obras

A cocheira entrou em obras. É nesse espaço que um dia terei uma porta aberta para a rua, um espaço onde finalmente poderei criar, fiar, trabalhar sem ter de arrumar a tralha que vou espalhando pela casa.
Até lá, vou continuar a estender os meus panos no chão da cozinha, alinhavando uma nova manta que há de ocupar o meu Verão!

O rosto de quem escreve
O rosto de quem escreve

Partilhei com um amigo o meu entusiasmo sobre a recente descoberta duma escritora. Contava-lhe que andava à procura dos seus livros em bibliotecas mas a escassa oferta fez-me comprar tudo o que pudesse aparecer à minha frente nas livrarias.
Quando gosto, tenho essa tendência curiosa de ler mais e mais sobre o mesmo autor. Foi assim com a Marguerite Duras, tinha então 15 anos. Seguiram-se muitos outros como a Amélie Nothomb, Dulce Maria Cardoso, Afonso Cruz, Ondjaki…
Nunca me lembrei de espreitar ou ter a curiosidade de ver o rosto de quem escreve mas a pergunta que o meu amigo me fez, interpelou-me.

Será que a minha leitura pudesse ficar mais condicionada, conhecendo eu a cor do cabelo, a estatura, a magreza ou a formosura de quem profere tal escrita?
Será que a careca do Valter Hugo Mãe influenciou a minha leitura dos seus livros?
A perplexidade da pergunta faz-me pensar. Não paro de pensar.
É verdade. Nunca tive a curiosidade de procurar na net o retrato de quem quer que seja.
Afinal preferia ver as mãos. Essas deveriam ser o retrato de quem escreve. Preferia ver o lugar da escrita, uma mesa, um papel, uma caneta, um computador, um gravador, uma paisagem.

Acabei por ver o retrato da autora na contra capa dum livro. Num outro, as fotografias da sua infância ilustravam a sua escrita.
O processo foi natural. Ela apresentou-se a mim.
Eu não me apresentei a ela, nem a nenhum autor em geral.
Fará diferença?

GRETA GARBO

Sou parecida com a Greta Garbo. Durante anos fui muda. Depois Garbo talks. Depois em Ninotchka Garbo laughs. Fico na Ninotchka, Adília laughs. Não quero acabar os meus dias num cantão da Suíça atrás de uns óculos escuros. Era só o que me faltava.

In Manhã de Adília Lopes
Assírio & Alvim, 2015

A roca de alfazema

10 juin 2015

A roca de alfazema

Não dispenso uns pés de alfazema. É uma planta que me fascina pela sua forma, a sua cor, pelo seu volume, o seu perfume e até a azáfama das abelhas e o som que elas produzem. São as memórias da minha infância que surgem cada ano nesta época. As rocas permitem prolongar estas memórias durante o correr das estações, perfumando gavetões e armários. Trazem sol em dias de chuva e de frio.
Fazer uma roca é relativamente simples. Requer paciência e a vontade de a fazer. Não há idade e ainda é melhor se fizerem participar os mais jovens nessa tarefa.

A roca de alfazemaA roca de alfazema
A roca de alfazema
A roca de alfazema
A roca de alfazema

A receita

É preciso colher a alfazema na altura em que se fará a roca porque, uma vez seca, já não é flexível. Escolher uma quantidade de ramos, cuja divisão por 2 dê um numero impar (ex: 38:2=19).

Limpar o caule e juntá-los para formar um ramo. Atar juntamente com a extremidade da fita escolhida, com o fio do norte.

Para fazer as duas ou três voltas seguintes com a fita, utilizo um copo colocando o ramo do avesso e vou baixando o caule da alfazema em redor do copo. A seguir, pego na fita e vou tecendo dois a dois os ramos (a fita passa, ora para cima, ora para baixo).

Após as primeiras voltas terem sido dadas, pego na roca, abato os ramos encerrando as flores, aperto a fita e continuo a dar as voltas necessárias até sentir que toda a alfazema ficou presa no seu interior e dou um nó.

Após uns dias, a alfazema ao secar pode encolher e por vezes é necessário esticar a fita trançada. Para isso, basta desfazer o nó e voltar a ajustá-lo.

Vai acontecer no Jardim da Estrela
Vai acontecer no Jardim da Estrela

Para responder ao mote « Lisboa », com os seus arraias, sardinhadas e manjericos lançado pela organização Crafts & Design, levo no próximo fim de semana as têtes de nègres, embora desta vez venham mais duas alentejanas e uma algarvia para fazer jus à arte popular com a qual convivo diariamente.

No meu jardim não crescem manjericos mas as alfazemas largam um perfume que quis apreender formando umas maçarocas para perdurar o seu cheiro característico próprio desta época que, depois de secos, permanecem o ano inteiro a perfumar as nossas casas.

Sejam todos bem-vindos!

Xuxudidi no Festival Islâmico de Mértola
Xuxudidi no Festival Islâmico de Mértola
Xuxudidi no Festival Islâmico de Mértola

A partir de amanhã e até Domingo, as minhas mantas de retalhos, taleigos, mas sobretudo as Têtes de Nègres – todas peças manuais, únicas e exclusivas – estarão presentes no Festival Islâmico de Mértola (de 21 a 24 de Maio), na Oficina da Nádia Torres. Quem desejar deambular e percorrer as vielas da Vila Velha de Mértola, certamente passará pela Oficina da Nádia Torres – criadora de ourivesaria artística – Oficina situada na Rua Dr. António José de Almeida, nº 6, acima do Campo Arqueológico – onde estará patente a exposição « Mértola e o Guadiana » – junto à encosta voltada para Sul e para a Ribeira de Oeiras.

Sejam bem vindos!

Apareçam!

16 mai 2015

"Greve"
"Greve"
"Greve"

« Apareçam » tinha-me dito ontem um amigo meu e não me arrependo de nada.
Uma semana antes e pela primeira vez, foi-me dado a conhecer o trabalho da Catarina Sobral através da nova edição da Granta. Hoje, acabei por ir a inauguração da exposição Cachimbos & Cartas de Amor, na Biblioteca Municipal de Serpa onde é possível ver as ilustrações de alguns dos seus livros.
Trouxe este porque tenho muito em comum com o que sinto neste momento. Mas a obra dela em geral, tem muito de se tirar o chapéu!
A exposição estará patente até dia 30 de Junho. Apareçam!

Greve
Texto e Ilustrações da Catarina Sobral
Edição Orfeu Negro, 2011

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