Os Desenrascados II
27 février 2012
Quem vem da rua, não vê nada. É tudo muito escuro. O primeiro passo, na oficina do Mariano, funciona como um aviso. Recupera tudo, não deita nada fora. Desenrasca quem precisa. Digam lá se ele não é um desenrascado?
No Alentejo, vi por cima dum galinheiro uma ventoínha e uma bicicleta a fazer a vez de… alguém saberá dar-me uma resposta?
E porque precisava duma solução eficaz para limpar as teias de aranha, nos tectos de caniços, pedi ao Gil que me modificasse uma daquelas pequenas vassouras, feitas por ele, acrescentando uma vara de bambu, suficientemente cumprida, para chegar até elas a cinco metros de altura.
Os desenrascados são sempre bem vindos!
Uma cortina contra o frio
14 février 2012
Não posso queixar-me do frio pois a casa está bastante bem isolada com paredes de taipa com mais de 80 centímetros de espessura, portanto, é um óptimo isolante.
A porta de entrada no entanto, se fosse por esta lógica, deveria ter sido substituída por uma nova mas, há 18 anos, quando comprei a casa, a minha avó tinha-me oferecido esta porta inteiramente nova. Incapaz de me desfazer dela, porque carregada de recordações, só foi pintada de novo.
Recorri aos materiais que estão ao meu alcance para melhor a isolar. Com o cajado típico do pastor da planície alentejana, com uma manta de lã expressamente feita pelas tecedeiras da Cooperativa de Tecelagem de Mértola e com umas argolas em madeira, criei uma cortina, muito eficaz contra a entrada do frio e dos defeitos das brechas da porta.
A Cavalariça
20 janvier 2012
O post da Sílvia motivou-me. Não gosto muito de mostrar a minha casa e por mais incrível, nem a imagino fotografada e publicada em revistas de decoração.
O espaço que habito é muito pessoal, tal como os livros nas estantes duma biblioteca.
Mas reconheço, após mails trocados com ela, que posso partilhar algumas ideias que me passaram pela cabeça aquando da restauração da cavalariça.
A cavalariça é uma casa separada do resto da outra casa.
Remodulou-se em sala de estar ou salão como preferirem.
Hoje, tem uma mezzanine (no Alentejo diz-se sobrado) e por baixo, uma casa de banho de apoio.
Para poupar na eléctricidade e como não há janelas naquele cubículo, optei por restaurar uma porta de vidro. Coloquei um cortinado com rendas feitas pelas senhoras da Beira Alta, tal como na outra casa de banho da casa principal.
A ideia de não carregar no interruptor, de cada vez que é preciso là entrar, é uma victória (pensem nisso)!
Para aquecer o espaço que acaba por ser bastante generoso, recorri a uma salamandra. Como o pé direito é alto (a cavalariça funciona sobre uma simples inclinação a nivel do tecto) ganho em aquecimento, com o melhor rendimento possível. Controlo facilmente a intensidade das brasas e vou poupando na lenha.
Num dos cantos da cavalariça vou colocar estas cerâmicas eléctricas, com intervalos regulares, tanto na altura com na largura e farão a vez de bengaleiro.
Mantive os materiais tradicionais da região, os tectos de caniços e a tijoleira artesanal de Santa Catarina.
De resto, como o espaço é relativamente novo, precisamos de habitá-lo para lhe dar vida. A nossa vivência e as nossas recordações serão a melhor decoração do espaço existente.
Um quadro vivo
9 décembre 2011
Tenho, na sala de jantar, uma parede muito grande e branca.
Sobre ela, coloquei uma flanela e dispus os retalhos de fazenda de lã, um pouco aleatóriamente para saborear a côr e as formas enquanto habitamos o espaço.
Um verdadeiro quadro vivo que foi alterando conforme a inspiração das miúdas ou de quem por aí passou.
Houve um pouco de tudo, o xadrez formou flores e tive durante algum tempo um Pai Natal criado por duas irmãs, Ana e Matilde, amigas das nossas filhas.
Reagrupei os retalhos e decidi pôr mãos à obra.
tue-tue
17 mars 2011
É muito curioso o fenómeno da blogosfera e das relações que se vão tecendo. As minhas filhas também não são imunes. Partilho com elas alguns dos blogs que são inspiradores. Sabem o nome e de vez em quando perguntam por eles.
Também sinto esta noção de perda, quando por alguma razão os autores despedem-se. Uns apagam de vez o passado relatado, outros deixam impresso uma sombra que com o diluir do tempo passa para a pasta dos arquivos.
tue-tue é para nós, um blog de referência por vários motivos. Sem pretenção, cheio de criatividade.
As miúdas devem à Débora, a infinita possibilidade de criar livremente à volta do playmobil.
O fim-de-semana passado, a J. transformou uma simples caixa de vinho numa caravana no meio dum prado, com um rio a passar ao fundo e nas suas margens, uma zona de lazeres. Algumas das árvores são o reaproveitamento das serpentinas do Carnaval; os reflexos da água, uns tecidos.
Conhecem o metro*subway, feito a partir duma caixa de ovos? E a casa do macaco? O lindo barco? A pipi das meias altas? O castelo? A loja das flores? O guindaste? O aeroporto? O zoo? O swimming pool? A estação de comboios e este fabuloso mercado, para não me alongar mais!
tue-tue é como um livro que sem dúvida fica como referência da infância das minhas filhas.
Queriamos cantar com ele os Parabéns!
Coisas dela
6 février 2011
A coroa do meu rei
6 janvier 2011
Para muitos, hoje é dia de Reis.
Para outros, hoje é dia de Natal.
De manhã fomos unanimes ao relembrar o nosso e tivemos o desejo de voltar a festejá-lo.
A “outra casa” é uma casa em obras. O minímo foi garantido. Janelas, algumas portas, um tecto, água e luz, camas e uma lareira. Trouxemos 3 bancos, a vizinha imprestou 2 cadeiras e assim foi.
Sem televisão, sem net, sem qualquer rede de comunicação, foi o melhor Natal de sempre!
Reproduzindo a ideia da Rosa na venda de Natal da Retrosaria, a nossa árvore construiu-se a partir de fotos nossas. Uma estrela no topo, em guizo de tronco, umas socas. No chão, estrelas luminosoas para iluminar um pseudo caminho.
Na primeira refeição do ano, ainda ocupávamos a casa. Ao agendar as próximas semanas, nasceu a ideia colectiva de criar as nossas próprias coroas. Fizemos um sorteio, calhou-me o pai de casa. Com os botões da Virgínia e da A., com restos duma caixa em cartão e alguma lã, criei uma coroa para o meu Rei.
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Mudar para melhor
17 juillet 2010
No entretanto
13 juin 2010
O feno foi apanhado mesmo antes das chuvas. Na aldeia vizinha ouviram-se os foguetes anunciando assim as Festas dos Santos Populares.
A mão de Rorbeto está quase pronta. Feita em papier mâché, vou levá-la comigo para, amanhã à noite, contar esta tão bonita história de Um Garoto chamado Rorbeto.
Acho a altura adequada para apresentar o livro enquadrado no projecto “Livros Andarilhos” com o intuito de sensibilizar a comunidade escolar para as pequenas diferenças e como explicou a professora do Rorbeto:
“… que aquilo era só um detalhe,
E que, pra escrever como ele, certinho,
o capricho é o que vale.
Não faz diferença ter cinco,
seis dedos, duas mãos ou dois pés;
Cada um é de um jeito e são todos perfeitos.”
…
Após 15 dias sem a net, eis-nos de novo ligados ao mundo. Aino também está de volta!
Passaram os "poissons d’avril"
4 avril 2010
Pensar que tínhamos tratado do assunto semanas antes, carimbando alegramente cambraia para dar vida a uns simpáticos peixinhos e que estes mesmos peixinhos seguiriam viagem connosco para que no dia 1 de Abril, à nossa moda, pudessemos divertir-nos.
Os peixinhos foram esquecidos em casa, levando connosco malas vazias de bom humor!
O feitiço virou-se contra o feiticeiro!

































